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(01) Porque porta-vozes sociais fragilizam a visão dos negócios.

Atualizado: 15 de Ago de 2018


(Começamos hoje uma série de 4 textos abordando este assunto. Desfrute!)


Estivemos por 8 anos estudando os fatores que constroem a percepção e posicionamento de porta-vozes sociais, em posição de negociação, em diversos momentos e circunstâncias de atuação social colocando-se como representantes da ‘ponta social’ e suas vozes. Estudamos esta representatividade em negociações das mais simples até a mais complexas as quais demandaram por parte dos negócios um esforço extra para adequar-se às questões que iriam impactar sua lucratividade – objetiva ou subjetivamente dentro da estrutura.


Primeiramente, vamos definir como parâmetro para porta-voz social toda pessoa, grupo e/ou entidade/instituição que se coloca como o representante de uma maioria social na função de expressar o que “todos pensam”, de trazer à tona o sentimento global “de todo mundo” e se dispõem a negociar novos papéis nas relações de diálogo e posicionamento e, sua função, é propor e solucionar questões de interesses e benefícios gerais para a sociedade.


De alguma forma, das experiências que vivemos na condução de mobilização e engajamento de pessoas com foco no crescimento de negócios em todo o país e, também, voltando ao diálogo social para a resolução de conflitos, voltados à legalidades de operação, programas e propostas sustentáveis e sociopolíticas e até mesmo para projetos de transformação social, houve um momento de ruptura com o entendimento de que a representatividade social – por intermédio de porta-vozes – é de fato o meio saudável e eficiente de compreensão e de diálogo.


Identificamos que as pontas sociais são compostas em sua maioria por indivíduos não-ativos, ultrapassando 65% da população de um MEGA (Micro Espaço Geográfico de Atendimento) e que as características básicas destes indivíduos é o silêncio por desesperança, ignorância, cansaço e distanciamento do objeto de diálogo, mas nunca por desinteresse. Com visão curta sobre possibilidades e sobre o seu poder de transformação, os indivíduos não-ativos estão à mercê do que vem a eles como realidade tornando sua capacidade de percepção e ação uma expressão reativa à pressão de que é preciso tomar, em algum momento, uma decisão.


Por sua vez os agentes ativos, que são a minoria em um MEGA, possuem característica de intermediários de informação onde, essencialmente, percebem que podem estabelecer o discurso e direcionar o diálogo dentro de possibilidades e questões segmentadas que pareçam globais. Enquanto os agentes não-ativos estão ocupados em viver uma vida que acontece diariamente sem grandes perspectivas de soluções maiores, não estão envolvidos com bandeiras, ideologias e posicionamentos e defesas pontuais das agendas institucionalizadas, os agentes ativos estão segmentando as ideias dentro deste universo ideológico-institucionalizado, pois, é neste âmbito que acontecem as relações de codependência onde tornam-se reféns os negócios e a sociedade não-ativa. É daqui que começam os ciclos viciosos infindáveis da defesa de categorias que blindam o indivíduo ‘no universo da maioria’ de tornar a voz relevante.


A representatividade social – por seus porta-vozes – tem ganhado corpo e consistência em todo o contexto de vida e, obviamente, influenciado positivamente a condução de decisões de governos e negócios em suas principais abordagens mercadológicas e relacionais. Esta necessidade se tornou, por um tempo, profunda e eloquente quando a necessidade de lideranças que afunilassem o diálogo se tornou imprescindível para que houvesse diálogo e a sociedade fosse ouvida de alguma forma. No entanto, este universo paralelo de negociações sociais e institucionais tem começado a fragilizar os negócios e seus resultados quando estes fatores ideológicos, políticos e institucionalizados começam a tomar lugar na pureza do diálogo desde a ‘ponta social’ até a ‘ponta corporativa’.


Neste mundo em transformação entendemos a necessidade de trazer à luz temas que são essenciais para o amadurecimento social e apoiamos que sejam feitos. Podemos afirmar, no entanto, que o modelo de trabalho baseado somente nas verdades das vozes ativas tem causado distorções elementares no crescimento saudável e acelerado dos negócios, uma vez que a maioria não-ativa tem sido ignorada nos seus desejos e anseios de consumo. O que é dizer, o consumo desejado pela maioria dos consumidores os quais queremos alcançar não é bem o que vendo sendo dito e demandado por aí. Existe uma falha imensa de percepção real sendo manipulada e conduzida para interesses pontuais que continuarão bloqueando o crescimento e o engajamento entre sociedade e negócios.


Tema complexo, despertar indigesto uma vez que precisamos e temos que manter os porta-vozes ativos e em diálogo. Portanto, é dizer que devemos manter as coisas como elas são? De forma alguma, existem outras formas de conduzir as questões essenciais do diálogo, das vendas e da ampliação na fatia de mercado que um negócio deseja. E ele parte do reposicionamento de percepção do diálogo, reputação e MKT e está direcionado a ouvir e despertar as vozes silenciosas.


Vamos nos aprofundar neste tema nas próximas duas semanas e avançar na provocação e na apresentação de mais informações sobre os agentes ativos e não-ativos do consumo social.


Se você quer conhecer melhor nosso trabalho e compreender como atuamos na mobilização e engajamento de pessoas, continue acompanhando nosso blog e entre em contato conosco no contato@clubemeu.com.br


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(Foto extraída de https://goo.gl/images/7iCRE3)




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