• m.EU

(02) Porque porta-vozes fragilizam a visão dos negócios.

Atualizado: 15 de Ago de 2018



No texto anterior desta série (acesse o link no final deste texto) falamos um pouco sobre a divisão entre indivíduos ativos e indivíduos não-ativos dentro da concepção de território. Para continuarmos o assunto vamos estabelecer a partir de agora que território é, aqui, definido como qualquer espaço geográfico – amplo ou reduzido – físico ou virtual o qual um negócio ou governo deseja atuar. E relembrar que indivíduo ativo é aquele considerado ‘porta voz social’ o qual expressa seus sentimentos e desejos baseados em interesses ideológicos e segmentados e, indivíduo não-ativo, é aquele que mantém silêncio sobre o que precisa, espera, deseja e consome por não se sentir representado por ninguém e nenhum negócio especificamente.


Sendo assim, partindo deste breve resumo acima, um dos grandes desafios para atuar de forma mais rápida e consistente no alcance de abrangência de consumo é vencer a barreira do que parece ser o senso comum.


“Parece ser o senso comum” é um convite a romper a barreira do que consideramos como o caminho correto para interpretar e saber o que a maioria pensa. Quando analisamos os meios técnicos globais existentes de tratamento de informações, entendimento do comportamento, pesquisas de consumo, posicionamento político-social, medidas de relacionamento com públicos de interesse e, também, de articulação com a representatividade social (lideres sociais, entidades representativas etc), podemos perceber que estão – estes meios – voltados à forma de identificar os temas recorrentes e aparentes na superfície do diálogo e da expressão. Então contaremos uma história real vivida entre inúmeras de nossas experiências onde aprendemos que há muito mais sutilezas relevantes na profundidade do diálogo e da análise.


"Um dos nossos clientes começou a ter problemas de reputação no território onde atuava e isto afetava não somente seus resultados financeiros como, também, os resultados institucionais perante grandes agentes de decisão do seu negócio. Um dos motivos deste impacto na reputação era a insegurança que as pessoas do convívio no mesmo território sentiam e que era, na ocasião, responsabilidade do nosso cliente prover estrutura e conjuntura de segurança local. O cliente estabeleceu estratégicas de entendimento junto à população priorizando o diálogo com os porta-vozes locais, entidades, associações, líderes dos bairros, representantes locais. Entendeu claramente que o problema do sentimento de insegurança era real (e realmente era) e que a comoção geral sobre o assunto afetava todo o contexto da sua atuação reduzindo consumo social e empatia com o negócio. Entendeu junto a estas pessoas o que significa segurança e – cada um com seus interesses baseados na sua percepção do próprio existir e do que compreendia como óbvio a respeito da circunstância, somado ao que poderiam ganhar do efeito e no efeito desta articulação – encontraram a resolução para o problema: vamos investir em infraestrutura de segurança. Mais ronda, mais efetivo na rua, mais presença ostensiva, mais carros, mais locais de atendimento à população. Em 3 meses foram investidos milhões de reais em estrutura, alguns milhões mais em marketing para anunciar à sociedade a solução do problema e mais alguns milhões – partilhados entre várias entidades e representantes – em ações de relacionamento e patrocínios que potencializassem a representatividade e diálogo junto aos agentes ativos do território. Nestes 3 meses e nos próximos 2 meses seguintes o problema permaneceu e se agravou. O sentimento de insegurança aumentou e foi agregado pelo sentimento de dúvidas a respeito do que realmente importa na relação de confiança entre o nosso cliente e seus consumidores locais. Foi neste momento que entramos em ação. Lemos os relatórios todos, entendemos o contexto aplicado, estudamos os agentes ativos e percebemos que os agentes não-ativos não tinham sido ouvidos e, depois de descobrirmos que a sensação de insegurança e de descaso por parte da sociedade era, não por interpretação, mas por compreensão do inconsciente coletivo de que a resolução estava em trocar as lâmpadas nos postes, os índices de relevância, aderência e consumo voltaram a crescer."


O problema está totalmente na articulação com porta-vozes? Obviamente não. Esta articulação é necessária para que parte do consumo social aconteça de modo controlado e administrável. O problema está, verdadeiramente, em estarmos há anos nos perdendo na compreensão do que mudou no comportamento social e nos perguntando sobre como aumentar o consumo, reduzindo custos, otimizando recursos, ganhando mercados e aumentando relevância institucional sem nos darmos conta de que as vozes silenciosas estão nos dizendo muita coisa e é neste mundo onde estão as respostas mais lucrativas.


Continuaremos tratando deste tema nas próximas duas semanas. Se você quer compreender melhor acompanhe nosso blog ou entre em contato com a m.EU pelo e-mail contato@clubemeu.com.br


__________________________________________________________________

Leia o texto anterior em https://www.clubemeu.com.br/meublog/porque-porta-vozes-sociais-fragilizam-a-visão-dos-negócios


(Foto extraída de https://goo.gl/images/bFmMdr)


37 visualizações

Posts recentes

Ver tudo

Copyright © clubemeu - 2018 

  • Preto Ícone LinkedIn
  • Preto Ícone Facebook
  • Preto Ícone Twitter
  • Preto Ícone Instagram